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terça-feira, 2 de abril de 2013

As Três classificações de Vaishnavas de acordo com os ensinamentos de Sriman Mahaprabhu: Vaishnava, Vaishnava-tara e Vaishnava-tama



   A única conclusão que podemos tirar é que quando os devotos que se encontram no estágio dekanistha adhikari adquirem fé nas escrituras (sastriya sraddha), apenas neste momento eles realmente se tornam elegíveis para servir os Vaishnavas. Eles são classificados simplesmente como vaishnava (neófitos que possuem qualidades vaishnavas) até o momento que adquirem as outras qualidades características de um madhyama adhikari vaishnava.
   Correspondentemente, madhyama vaishnavas são descritos como vaishnava-tara (possuem um alto grau de qualidades vaishnavas) enquanto que apenas Uttamas Vaishnavas, os mais elevados Vaishnavas, são descritos como Vaishnava-tama (possuem todas as qualidades vaishnavas).
   É necessário deliberar sobre como Mahaprabhu descreveu estes três tipos de Vaishnavas:
  
                            Vaishnava.

Ataeva yanra mukhe eka krsna nama
Sei ta vaisnava kariha tanhara sammana
 (Sri Chaitanya Charitamrta, Madhya lilá 15.111)

“Aquele que canta o nome de Krishna (significa suddha nama- nome cantado de forma pura) até mesmo uma só vez é Vaishnava (possui qualidades Vaishnavas). Então, deve-se respeita-lo.”


                           Vaishnava-tara.

Krsna nama nirantara yanhara vadane
Sei se vaisnavatara bhaja tanhara carane

(Sri Chaitanya Charitamrta, Madhya lilá. 16.72)

“Aquele que canta o nome de Krishna (puramente) constantemente é vaishnava-tara (possui alto grau de qualidades Vaishnavas) e deve-se oferecer serviço aos seus pés de lótus”.

                          Vaishnava-tama.

Yanhara darsane mukhe aise krsna nama
Tanhare janiha tumi vaisnava pradhana

Krama kari kahe prabhu vaisnava laksana
Vaisnava vaisnavatara ara vaisnavatama
(Sri Chaitanya Charitamrta, Madhya lilá. 16.74-75)

“Aquele que inspira outros a cantar os nomes de Krishna meramente por se fazer visível á eles évaishnava-tama (possui todas as qualidades Vaishnavas no nível máximo) e é o mais elevado Vaishanava.”
 “Sri Chaitanya Mahaprabhu explicou então os diferentes níveis de Uttamas Vaishnavas (Vaishnavas puros) em seqüência – aqueles que são vaishnavas, aqueles que são vaishnavas-tara e aqueles que são vaishnavas-tama – em acordância com os sinomas exibidos por cada um deles”.
   De acordo com estes ensinamentos de Sriman Mahaprabhu, aquele que pronuncia suddha-krsna-nama (nome completamente puro) pelo menos uma vez é digno de ser chamado de Vaishnava. Entre os kanisthas bhakta, que são chamados de vaishnava-praya (parecem ser vaishnava), ou vaishnava-abhasa (semblante de vaishnava) cantam apenas namabhasa (semblante do santo nome). Eles não cantam suddha-nama. Porém, aqueles que de fato são capazes de cantar suddha-nama até mesmo uma só vez, possuem qualidades Vaishnavas e são Suddha Vaishnavas. Aqueles que cantam suddha nama continuamente são vaishnava-tara (possui grande quantidade de qualidades vaishnavas); e Aqueles que simplesmente por se fazer visível ao público, os incita a cantar krsna-nama, sãovaishnavas-tama (possui completamente todas as qualidades vaishnavas).
   No dia em que krsna-nama (suddha nama) aparece na língua de alguém, mesmo que seja uma só vez, ele perderá toda propensão de cometer pecado. O que falar de pecado! Ele até mesmo perderá o interesse em performar atividades piedosas.
   Todas as três classificações de Vaishnavas – vaishnava, vaishnava-tara e vaishnava-tama, não possuem nenhuma forma de contaminação material e pecado.
   Se por acaso observa-se que uma pessoa está inclinada a cometer pecado, então ela não deve ser classificada como Vaishnava. Até mesmo kanistha-adhikaris vaishnavas não tem inclinação por atividades pecaminosas ou piedosas.

Criticar as falhas prévias de um Vaishnava é abominável.



   Ó leitores, nunca se deve refletir em qualquer falha que estava presente em um Vaishnava antes do aparecimento de bhakti á não ser que haja alguma bondosa razão nisso. Um Vaishnava não deve ser criticado pelas insignificantes remanescentes de suas falhas anteriores. Por essa razão Krishna disse no Bhagavad Gita (9.30-31):  

Api cet suduracaro
Bhajate mam ananya-bhak
Sadhur eva as mantavyah
Samyag vyavasito hi sah

Ksipram bhavati dharmatma
Sasvac-chantim nigacchati
Kaunteya pratijanihi
Na me bhaktah pranasyati

“Até mesmo um homem de caráter abominável, mas que se engaja com dedicação no serviço amoroso e unidirecionado (ananya bhajana) a Mim, deve ser considerado santo porque está corretamente situado em bhakti. Ele se torna virtuoso muito em breve e obtém paz eterna. Ó Kaunteya, declara isto fortemente, que ‘Meu devoto nunca perece’.

    Pela influência de bhakti, todos os abomináveis tipos de comportamento que pode haver existido no coração do praticante antes do aparecimento de bhakti e tem diminuido gradualemente dia após dia, são finalmente erradicados em um curto período de tempo. Então, criticar um Vaishnava sem um motivo virtuoso resulta em Vaishnava-aparadha. Até mesmo se alguém observa alguma falta acidental no Vaishnava ocoorente da divina providência, ainda sim ninguém deve critica-lo. Neste contexto, o sábio Karabhajana disse:

                                                                    Sva pada-mulam bhajatah priyasya
Tyaktany abhavasya harih paresah
Vikarma yac cotpatitam kathancid
Dhunoti sarvam hrdi sannivistah
 (Srimad Bhagavatam (11.5.42)

“Aquele que se engaja na adoração exclusiva aos pés de lótus de Bhagavan e que deixou todas as outras coisas, é o mais querido á Mim. Até mesmo se a tendência de performar atividades pecaminosas aparece em seu coração, Sri Hari, que reside diretamente no seu coração, não apenas destrói estas tendências, mas também remove qualquer reação que poderia manifestar como resultado de ter cometido algum pecado.”

   O princípio aqui é que culpar falsamente e criticar o Vaishnava por qualquer falta mencionada acima, pode ser classificado em três categorias: nama aparadha (ofensas contra o santo nome), Se alguém comete nama aparadha, a divina relação com o nama (santo nome) nunca manifestará, e sem esta relação é impossível se tornar um Vaishnava.

Pode-se refletir sobre as falhas dos outros desde que se tenha um motivo virtuoso apropriado.



   Devemos considerar que sem um motivo apropriado correto, é inapropriado refletir até mesmo parcialmente, nas faltas de qualquer entidade viva, o que falar então dos Vaishnavas? Blasfemar um Vaishnava é ofensa, mas até mesmo blasfemar outras entidades vivas é pecado. Vaishnavas não tem interesse em cometer atos pecaminosos.
   Porém, se há um motivo apropriado, as escrituras não condenam uma crítica cuidadosa sobre as falhas de alguém.
 Existem três diferentes e apropriados motivos que não se enquadram em ofensa ao Vaishnava:
 1-     Se a intenção de analizar os pecados de alguém é para assegurar-lhe seu bem estar último, então tal reflexão é auspiciosa.
2-     Se o motivo de refletir nos pecados de alguém é beneficiar todo o mundo, então isto pode ser visto como um ato auspicioso.
3-     Se tal reflexão é feita para seu (da pessoa que refletir) próprio benefício espiritual, então isto é também auspicioso. Não há falha nesta reflexão.
       Quando alguém medita nos fatos históricos de personalidades como Valmiki ou Jagai e Madhai na luz de um destes três virtuosos motivos citado acima, então tal reflexão nunca será um ato pecaminoso. Quando um discípulo pede humildemente ao seu mestre espiritual que o ensine à como identificar um Vaishnava, o mestre espiritual desejando o melhor para seu discípulo e para todo mundo, explica que aqueles que se comportam de maneira não santa, não são Vaishnavas. Ele então explica como se deve identificar um verdadeiro Vaishnava através de anti-téses.
   Com a intenção de encorajar alguém a aceitar o refúgio dos pés de lótus de um real Vaishnava, abandonando o falso, ‘os assim chamados pregadores da religião’, a pessoa não corre o risco de Vaishnava aparadha ou sadhu-ninda (ofensa ao Vaishnava). Nestes casos, até mesmo as críticas direcionada á uma pessoa específica está livre de faltas. Estes são exemplos de criticar com motivo apropriado.