Translate

Pesquisar este blog

domingo, 7 de abril de 2013

A função do mestre espiritual instrutor (siksha-guru)



Krsna, guru, bhakta, sakti, avatara, prakasa
Krsna ei chaya-rupe karena vilasa

(Cc.Adi.1.32)

O Senhor Krishna desfruta manifestando-se como os mestres espirituais, os devotos, as diversas energias, as encarnações e as porções plenárias. Todos estes são seis em um.

   Aprofundam-se novamente comigo, no tema que estávamos discutindo, sobre o Sri Chaitanya caritamrta de Krishna das Kaviraja. Ele dizia que mesmo sendo um, Sri Krishna se manifesta em seis aspectos. Isto é chamado de acintya bheda bheda tattva. Também explicou que seus siksa-gurus são os seis Goswamis de Vrindavana. Revelou que Sri Advaita Acarya é uma encarnação de Maha-Vishnu (uma encarnação parcial de Krishna), e que Nityananda Prabhu é uma manifestação eterna tanto de Krishna quanto de Sri Chaitanya Mahaprabhu. Por outro lado, Krishna e Chaitanya Mahaprabhu se manifestam pela misericórdia de Nityananda Prabhu. Assim, sem a misericórdia de Sri Nityananda Prabhu, não se pode compreender Chaitanya Mahaprabhu nem Krishna. Ele é a personificação direta e absoluta de guru-tattva.
   Srila Krishna das Kaviraja Goswami descreve assim sua fortuna espiritual: “Tenho recebido a misericórdia dos seis Goswamis e de outros vaishnavas elevados, também recebi a misericórdia e a visão de Govinda, Gopinatha e Madana Mohana, e também vi e compreendi as glórias de Vrindavana Dhama. E tudo isto foi através da misericórdia de Nityananda Prabhu. Por tanto, sou seu servo e ele é meu guru”. Depois ele explica que a sakti de Krishna se manifesta como Gadadhara. Krishnacandra é o próprio Krishna, e Chaitanya Mahaprabhu é este mesmo Krishna, Vrajendra nandana Shyamasundara, com a beleza dourada de Srimati Radhika. Por tanto, ele é Radha e Krishna combinados.

Guru krsna-rupa hana sastrera pramane
Guru-rupe krsna krpa karena bhakta-gane

 Segundo a conclusão de todas as escrituras reveladas, o mestre espiritual não é diferente de Krishna. O Senhor, na forma do mestre espiritual, libera seus devotos. (Cc.Adi 1.45)

   O diksa-guru e o siksa-guru não são diferentes e se estão no mesmo nível. Srila Rupa Goswami representa o siksa-guru e Srila Sanatana Goswami representa o diksa-guru, porém não há diferença entre eles. Ambos podem atuar como siksa ou diksa-gurus.
   Meu Gurudeva, Nitya-lila-pravista Om Visnupada Srila Bhaktiprajnana Keshava Goswami Maharaja, é meu diksa e também meu siksa-guru. Pujyapada Bhakti Rakshak Sridhar Maharaja e Pujyapada Bhaktivedanta Swami Maharaja também são meus siksa-gurus. Qualquer discípulo de Srila Sridhar Maharaja ou de Srila Swami Maharaja que considera que Srila Bhaktiprajna Keshava Goswami Maharaja não está na nossa linha, não é vaishnava. Não devemos associar intimamente com qualquer pessoa que não oferece o devido respeito á Srila Bhaktiprajnana Keshava Maharaja. Ele é o sanyassa-guru de Srila Swami Maharaja, quem sente um profundo respeito por ele, como guru e como amigo 
  
Siksa-guruke ta´jani krsnera svarupa
Antaryami bhakta-srestha- ei dui rupa

Deve-se saber que o mestre espiritual instrutor é a Personalidade de Krishna. O Senhor Krishna se manifesta como a Superalma e como o devoto mais elevado. (Cc.Adi 1.47)

   O diksa-guru é a forma de Krishna e o siksa-guru é a natureza pessoal de Krishna. Qual é superior?   Não há diferença entre eles. Nosso diksa-guru é nosso mestre mais adorável porque sentimos veneração por Ele. Oramos á ele e tomamos a poeira dos seus pés de lótus. Mas o siksa-guru é como um irmão ou um amigo.    As vezes podemos abraça-lo e falar com ele com total franqueza. Podemos revelar nossos pensamentos mais íntimos á ele, e dizer-lhe que desejamos associar com Krishna da mesma maneira que as gopis. Isto é algo muito secreto e sagrado. Pode ser que exitemos em falar estas coisas para nosso diksa-guru e por isso precisamos de um siksa-guru. Ele é como um amigo íntimo. Não há um sentimento de temor reverencial para com o siksa-guru e sim um sentimento fraternal. Assim também, nas etapas mais avançadas de bhakti, a pessoa não vê Krishna como a Suprema Personalidade de Deus e sim como seu amigo íntimo, seu filho ou seu amado. Ele sente que Krishna é seu e ao mesmo que ele pertence á Krishna.
   Srila Rupa Goswami explica que o discípulo também deve servir seu diksa-guru com sentimento de intimidade, mas como está constantemente prestando reverências, este sentimento não pode manifestar-se sempre. Podemos confessar ao siksa-guru que sentimos atração por uma jovem e podemos pedir-lhe conselho, mas falar tais assuntos para o diksa-guru será mais difícil. Porque ele é como um pai digno de veneração, talvez a resposta seja muito dura e ele pode até pegar um bastão para bater em nós. Mas o siksa-guru abraçará o discípulo e dizer:
   Querido filho, é melhor que não te ocupe nestas coisas. Tente amar somente Krishna e oferecer seu coração ao serviço aos pés de lótus de Srimati Radhika. Não corra atrás das meninas deste mundo. Não são damas, senão que fogo ardente, um oceano de veneno. Não vá nesta direção.
    Devido á natureza de afeição desta relação, é necessário ter um siksa-guru. Podemos revelar tudo á ele. Nossos siksa-gurus, Sri Krishna, Sri Chaitanya Mahaprabhu, Srila Krishna das Kaviraja Goswami e todos os acaryas que nos precederam, são conscientes dos nossos pensamentos e atos. Eles não morreram; estão dentro do nosso coração e são onipotentes.
   Siksa-guruke ta´jani krsnera svarupa. O siksa guru é a svarupa de Krishna e o diksa é a rupa de Krishna. E sem dúvida, eles são iguais. Não há diferença entre a natureza íntima de Krishna e seu corpo. Quem pensa o contrário é um mayavadi impersonalista. Não devemos associar com tal pessoa.
   Antaryami, bhakta-srestha – ei dui rupa. Há duas classes de siksa-guru. Antaryami é o siksa-guru dentro do coração, o chaitya-guru. Ele inspira interiormente. Se alguém ora dizendo: “Ó Krishna! Você é meu chaitya-guru e te entreguei meu coração; por favor, fazei-me refugiar em um mestre espiritual genuíno”. Krishna fará todos os arranjos. Se nos aproximamos de Krishna com o desejo sincero de ter um guru, estamos passando toda a responsabilidade para Ele, e assim não teremos que sofrer o resultado de uma escolha errada. Mas se elegemos nosso mestre espiritual por conta própria, se este cai, teremos desperdiçado nossa vida e vamos nos arrepender para sempre.

Tesam satata-yuktanam
Bhajatam priti-purvakam
Dadami buddhi-yogam tam
Yena mam upayanti te

Aos que estão constantemente consagrados servindo-me com amor, Eu dou a inteligência pela qual eles podem vir á mim. (Bg.10.10)

   Aquele que está sempre conectado com Sri Krishna e lhe serve com amor e devoção, Ele próprio dá a inteligência mediante a qual pode ir á Ele. Que classe de inteligência Ele dá? Inteligência transcendental; a inteligência que nos conecta com Krishna. “Eles vêm á mim e eu os ocupo em meu serviço”. Isto mostra que Krishna atua como chaitya-guru.
   Há algum tempo atrás, no sul da Índia, vivia uma charmosa prostituta chamada Cintamani. Quando ela tinha 16 anos, dançava e cantava kirtans de forma tão doce que todos que á viam ficavam atraídos por ela. Bilvamangala Thakura, um brahmana piedoso casado com uma mulher muito casta, atraiu-se por Chintamani. Apesar de ser prostituta, Chintamani tinha a qualidade de desfrutar cantando canções em glorificação á Sri Krishna. Este era outro motivo pelo qual os homens sentiam tanta atração por ela. Bilvamangala Thakura também caiu em suas redes e como resultado disto, rompeu toda relação com seus pais e desapegou-se da sua esposa e filhos. Ele ia vê-la todas as noites e levava presentes que conseguia vendendo suas terras, jóias da sua esposa ou roubando dinheiro ou quadros valiosos. Esperava que ela lhe amasse em troca disso.

   Após algum tempo, o pai de Bilvamangala morreu e seus familiares organizaram os rituais. No décimo terceiro e último dia da celebração, quando centenas de brahmanas se sentaram no pátio para honrar a maha-prasada, Bilvamangala entrou na cozinha e escondeu algumas preparações dentro de um quadro. No cair da noite, foi mais uma vez ver a prostituta sem preocupar se os convidados haviam tomado prasada ou não, e sem pensar em sua esposa e em sua aflita mãe.
    Aquela noite não parou de chover. Para chegar á casa da prostituta, Bilvamangala Thakura viu que teria que cruzar um rio transbordado e que estava com uma corrente muito forte. Quando ele se perguntava como ia atravessar o rio, viu que algo flutuava diante dele. Sem compreender que se tratava de um corpo morto de uma menina, sentou-se sobre ele e assim atravessou o rio. Depois, andou por caminhos barrentos e rebaldiços, até que finalmente chegou á casa de Chintamani. Lá ele viu que a porta estava fechada e ficou um tempo ali, gritando e esperando para ver se alguém abria a porta. Como ninguém o ouvia, ele tentou outra maneira de entrar no recinto e assim chegou á parte de traz da casa, onde viu uma coisa que parecia uma corda. Quando ele agarrou aquilo para tentar escalar o muro, viu que se tratava de uma serpente. Então soltou a serpente e caiu ao solo, e como resultado do impacto, perdeu o conhecimento. Chintamani ouviu um ruído estranho e mandou sua serva averiguar o que era.
   “Foi Bilvamangala que caiu, comunicou a serva um pouco depois.”
   “Como isto foi possível? Como foi possível ele chegar até aqui?”
   Cintamani e sua serva transportaram o corpo inconsciente de Bilvamangala até a casa e pouco a pouco conseguiram volta-lo á consciência. Quando o brahmana contou o ocorrido á Chintamani, ela disse:
    “Você tem passado vários apuros para vir até mim, e amas este corpo que está cheio de sangue, urina, fezes, bílis e muco. Se tivesse um pouco de amor e afeição por Krishna, tua vida seria exitosa. Mas você é muito luxurioso. Não posso amá-lo, vá embora daqui!”
   Devido ás impressões de bhakti que havia acumulado anteriormente, aquelas palavras atravessaram seu coração mais velozes do que flechas. Se não tivesse estas impressões, a advertência não teria tanto efeito em seu coração e ele cairia aos pés da jovem como um cachorro. Ao invés disto, Bilvamangala compreendeu que devia mudar e desenvolver seu amor por Krishna. Ele já não sentia mais atração por Chintamani nem por sua própria família, mas sentiu um forte desejo de ir á Vrindavana. Ele passou os cinco dias seguintes cantando os santos nomes sem comer nada. Quando ele sentiu sede, se aproximou de um poço e pediu água á uma jovem recém casada que se encontrava ali com um pote na mão. Bilvamangala pediu á ela que botasse um pouco de água na boca dele e enquanto bebia a água, contemplava a beleza da jovem. Ele á seguiu até a sua casa e quando ele entrou, viu um homem na porta que parecia ser o esposo da jovem. Bilvamangala então disse: “Por favor, chama a jovem que acaba de entrar!”. O homen chamou sua mulher e ela veio logo em seguida.
   “Em que posso servi-lo?”
    Bilvamangala pediu á ela dois grampos. Ela não entendeu para que ele queria aquilo, mas mesmo assim lhe deu os grampos.
    “Estes olhos são meus inimigos, porque me fazem prisioneiro da luxúria. Se não há bambu, não há flauta. Se perfuro meus olhos, minha luxúria irá embora. Cortaria minha luxúria pela raiz. Se estou cego, meu olhos não sentirão mais atração por mulheres charmosas e só desejarei desenvolver meu amor por Krishna.”
   Assim, ele perfurou os dois olhos, primeiro veio o sangue e depois ele deixou de ver completamente.
   Cantando Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare, Bilvamangala se foi dali. Após ter caminhado um curto trecho, um menino se aproximou e lhe perguntou:
   “Que fazes aqui baba?” A voz do menino era muito dôce. Se tratava de um pastorzinho negro diferente de todos os outros.
   “Estou indo á Vrindavana, querido menino. Quem é você?”
   “Sou um pastor e também estou indo á Vrindavana. Se quiser, pode agarrar-se a esta vara e vir comigo. Eu te ajudarei.”
   Vrindavana estava á quase seis meses de distância indo á pé, mas em poucos dias o menino anunciou que haviam chegado. Enquanto caminhavam, Bilvamangala ia compondo alguns poemas muito bonitos sobre a misericórdia de Krishna. Estes poemas são tão lindos que resultaram em um livro chamado Krishna-karnamrta (néctar para o ouvido de Krishna).
   Passado o tempo, Sri Chaitanya Mahaprabhu encontrou este mesmo livro no sul da Índia e o ensinou á seus devotos.

   O primeiro poema, dentro do mangalacharana do livro, diz assim:

Cintamanir jayati somagirir gurur me
Siksa-gurus ca bhagavan sikhi-pincha-maulih
Yat-pada-kalpataru-pallava-sekharesu
Lilá-svayamvara-rasam labhate jayasrih

Todas as glórias á Cintamani e a Somagiri, meu mestre espiritual iniciador. Todas as glórias a meu mestre espiritual instrutor, a Suprema Personalidade de Deus, que leva penas de pavão real em sua coroa. Na sombra de seus pés de lótus, que são como árvores dos desejos, Jayasri (Radharani) desfruta da doçura transcendental de uma eterna consorte.   (Cc.Adi 1.57)

   Bilvamangala Thakura oferece reverências a Cintamani porque ela lhe inspirou á refugiar em Sri Krishna. Que tipo de guru era ela? Um vartma-pradarsaka-guru, alguém que diz: “Vem conhecer um vaishnava auto realizado.” O vartma-pradarsaka-guru mostra o caminho e pode ser um kanistha, mas o guru iniciador não deve ser menos que um madhyama-adhikari.
   Quais são os sintomas do madhyama adhikari? Vocês devem saber disto antes de aceitar um gurudiksa ou siksa. Não devem aceitar um guru que não possui estes sintomas. De outro modo, encontrarão muitos obstáculos em sua vida devocional. Se este guru cai, suas vidas serão arruinadas e lamentarão amargamente.
    O primeiro sintoma é:

Tasmad gurum prapadyeta
Jijnasuh sreya uttamam
Sabde pare ca nisnatam
Brahmany upasamasrayam

Se alguém deseja ardentemente encontrar a verdadeira felicidade, deve buscar por um mestre espiritual genuíno e render-se a Ele por meio da iniciação. O mestre espiritual deve ter compreendido a conclusão das escrituras profundamente e por tanto deve ser capaz de convencer outros destas conclusões. Estas grandes personalidades que se refugiaram completamente no Senhor Supremo e deixaram para trás todas as considerações materiais, são considerados mestres espirituais genuínos.

(Bhag.11.3.21)
   Destas qualidades de um mestre espiritual fidedigno, duas são proeminentes. A primeira é que ele tem um conhecimento completo das escrituras e a segunda é que carece de desejos materiais. Ele está sempre feliz servindo Sri Krishna. Se ele é feliz e sente que sua vida está cheia de problemas, ele não está preparado para ser guru. Haridas Thakur foi espancado por vinte duas praças até cair morto, mas não considerou que aquilo era um problema. Seguiu cantando Hare Krishna, Hare Krishna. Prahlada Maharaja foi torturado por seu pai, mas nunca sentiu que tivesse algum problema. Ele botava seus pés sobre a cabeça de todos os problemas. Quando um guru que canta, segue os noves processos de bhakti e tomou diksa se lamenta que tem muitos problemas- sua mulher o engana, seus filhos não estão com ele, não consegue fazer dinheiro, ou não tem um computador ou facilidades materiais, deve ser rejeitado imediatamente. O terceiro sintoma do guru é que ele experimentakrishna-bhakti. Se não tem esta experiência devido ao fato de ter desejos materiais, seguramente ele cairá.
    O uttama-adhikari é superior ao madhyama-adhikari e oferece um resultado superior em bhakti, mas é difícil encontrar um guru deste nível neste mundo. Na ausência de um uttama-guru pode-se aceitar um madhyama-adhikari como siksa e diksa-guru. Este guru deve estar dotado dos três sintomas já mencionados e também é preciso que tenha estas outras quatro qualidades.

1-                                               Prema – Amor e afeto por Krishna.
2-                                               Maitri – É amistoso com todos e serve os vaishnavas. Mantém três tipos de relações com as três classes de vaishnavas: respeita e obedesse com sentimento de amizade os que são mais avançados que ele em bhakti, relaciona-se com pessoas do mesmo nível como um amigo e também é amistoso com aqueles cuja bhakti ainda não se desenvolveu.
3-                                               Krpa – É misericordioso com os que respeitam os vaishnavas e acreditam neles. Pode ser que estas pessoas tenham uma fé mundana e sentimentos materiais em relação ao guru e deidade; pode ser também que sintam mais afeto pelas deidades do que pelos devotos; e pode ser que entendam que se deve acatar os preceitos das escrituras mas são incapazes de atuar como atua um madhyama-adhikari. Ainda que sejam ignorantes, estas pessoas desejam avançar saber como avançar no serviço devocional.
4-                                               Upeksa – Ignora os ofensores e as pessoas que estão contra os vaishnavas ou não os respeitam. É consciente de que relacionar-se ou associar-se com estas pessoas destrói qualquer sintoma de bhakti.

    Falamos das três qualidades principais e também das quatro adicionais que se encontram em ummadhyama-adhikari capacitado para ser guru. Srila Jiva Goswami nos adverte no Bhakti-sandarbha, que se alguém aceita um guru para conseguir fama e ganâncias materiais, e um guru aceita discípulos pelo mesmo motivo, ambos cairão. Seu destino é naraka, o inferno.

   Srila Sanatana Goswami escreveu:

Avaisnava-mukhodgirnam
Putam hari-kathamrta
Sravanam naiva kartavyam
Sarpocchistam yatha prayah


Não se deve escutar nada que esteja relacionado com Krishna de um não vaishnava. O leite tocado pela boca de uma cobra tem efeitos venenosos. Quando alguém que não é um vaishnava fala de Krishna, suas palavras também são venenosas.

(Padma purana: citado no Bhag.6.17.40)

   Se alguém faz alarde de ser vaishnava, mas não respeita os vaishnavas se não que dá importância á fama e ganâncias materiais, deve ser abandonado imediatamente, mesmo se tomou hari-nam e diksa dele. Este suposto guru é guru apenas na aparência. Isto está explicado no Mahabharata e em outras escrituras. Se não rejeitam este guru, terão que ir ao inferno. Preparam-se para ir. Não se deve desrespeitar nenhum vaishnava; mesmo que se trate de uma kanistha-adhikari, e muito menos ummadhyama-adhikari ou um uttama-adhikari. Não se deve associar com alguém que não os respeitam ou os critica. Se alguém diz que é um vaishnava genuíno e o único discípulo genuíno de seu guru mas comete esta ofensa, seu próprio guru, se é autêntico, o rejeitará.
   Srila Jiva Goswami dá um exemplo muito importante. Não devemos pensar que porque há brigas no mundo transcendental, como as brigas das seguidoras de Radhika e as de Candravali, nós também podemos brigar. Nunca devemos tomar partido de alguém e nem brigar.
   Mesmo que digam que há diferenças entre Srila Bhakti Prajnana Keshava Goswami Maharaja e Srila Bhakti Vedanta Swami Maharaja, isto não é verdade. Não há nenhuma diferença. Os dois estão na mesma linha de sucessão discipular. Swamiji pregou no ocidente e meu Gurudeva pregou na Índia, mas transmitiram a mesma mensagem. O amor deles por Krishna é o mesmo, seus passatempos são os mesmos e seus serviços á Mahaprabhu são os mesmos. Um estava na Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna e o outro na Gaudiya Vedanta Samiti, mas ambos formam parte de uma família de Sri Chaitanya Mahaprabhu, de modo que não há necessidade de discutir. Não se deve faltar-lhes respeito jamais. Devemos seguir as instruções dos Acharyas e tentar desenvolver nossa consciência de Krishna.

O mestre espiritual é a manifestação de Krishna.


Agora continuaremos á falar sobre o Chaitanya Charitamrta. Ontem, recitei um verso do Mangala charana do krishna-karnamrta de Bilvamangala Thakura:

Cintamanir jayati somagirir gurur me
Siksa-gurus ca bhagavan sikhi-pincha-maulih
Yat-pada-kalpataru-pallava-sekharesu
Lilá-svayamvara-rasam labhate jayasrih


Todas as glórias á Cintamani e á Somagiri, meu mestre espiritual iniciador. Todas as glórias á meu mestre espiritual instrutor, A Suprema Personalidade de Deus, que carrega uma pena de pavão na sua coroa. Na  sombra de seus pés de lótus que são como árvores dos desejos, Jayasri (Radharani) desfruta da doçura transcendental de uma consorte eterna.  (Cc.Adi 1.57)
  
   Primeiro ele oferece reverências á Cintamani, que lhe conduziu até Krishna, e depois á Somagiri, seu diksha guru. Chintamani também significa que o guru é uma pedra de toque, porque nos revela Krishna. E Krishna também é seu mestre espiritual instrutor (siksha guru). Este siksha guru se mostra muito charmoso com penas de pavão sobre a cabeça, três linhas na sua barriga, três curvas na cintura e a postura curvada em três pontos. Krishna canta de uma forma muito doce. Seus pés de lótus que são como árvores dos desejos parecem folhas frescas e as unhas de seus pés brilham de maneira muito atrativa. As pontas das unhas dos pés de Krishna são mais belas que os raios da lua e os raios que emanam destas unhas são muito fragrantes. Jayasri refere-se á Srimati Radhika. Ela entrega seu coração, vida e alma á Krishna. Oferecendo sua vida milhões e milhões de vezes, ela faz o arati aos raios que emanam das unhas dos pés de lótus de Krishna, e ao faze-lo, sente a mesma felicidade como se fosse seu svayamvara. O que significa svayamvara?

   Devoto: É uma cerimônia para se eleger o esposo.

   Srila Narayana Maharaja: Não exatamente. Falarei agora do svayamvara de Sri Krishna. Em uma ocasião, Draupadi se encontrou com as rainhas de Krishna- Satyabhama, Rukmini, Laksmana, etc.. em Kuruksetra e lhes pediu que relatassem como elas haviam se casado com Krishna. Laksmana descreveu então o seu caso. Ela era a filha amada de um poderoso Rei que consciente do charme e de muitos talentos que sua filha tinha, partiu em busca de um esposo equivalente. Para isto, botou na terra um pilar bem alto, e na ponta dele colocou um disco giratório com um peixe artificial em cima. O rei prometeu dar a mão da filha em casamento á quem conseguisse acertar o olho do peixe, mirando apenas através de um recipiente de água. Os melhores arqueiros do mundo estavam presentes: Krishna, Baladeva, Karna, Duryodhana, Jarasandha, Sisupala, Bhima, Nakula, Sahadeva, Arjuna e outros.
   Arjuna disparou resolutamente, mas sua flecha tocou apenas as costas do peixe. Então, Krishna se adiantou e fez um movimento tão rápido, que ninguém pôde ver sequer o momento em que ele levantou seu arco. Krishna disparou a flecha exatamente no olho direito do peixe. Lakshmana disse á Draupadi: “Neste momento me senti como sendo muito afortunada”. Depois minhas amigas me deram uma guirlanda para colocar no meu esposo. Então, svayamvara, é uma antiga tradição hindu, na qual se seleciona o noivo entre muitos pretendentes. No svayamvara de Laksmana havia centenas de milhares de jovens e príncipes cheios de boas qualidades, porém ela havia escutado sobre as glórias de Krishna e á Ele entregou seu coração. Quando Krishna disparou a flecha no olho do peixe, o rosto dela iluminou-se e seus véus caíram. Extasiada por uma benção sem precedentes, lançou um olhar de soslaio, e Ele, que está sempre buscando por jovens charmosas, também olhou para Laksmana. O êxtase que ela sentiu foi tão grande que quase perdeu a sua consciência externa e incapaz de levantar até mesmo os braços, necessitou da ajuda de suas amigas para por a guirlanda no seu amado.
   Srila Bilvamangala Thakura explicou que Srimati Radhika também experimenta prazer ilimitado quando serve os raios que emanam das unhas dos pés de lótus de Krishna. Mesmo assim, Srila Prabhodananda Sarasvati, Srila Rupa Goswami e outros vaishnavas da nossa linha de sucessão discipular, não gostam de ouvir que Radhika serve Krishna. Eles preferem que Krishna seja feliz servindo os pés de lótus de Radhika. Eles querem ver Krishna suplicando para ter esta oportunidade. Quem é Krishna? Srila Prabodhananda Sarasvati escreve:

Vamsi karan-nipatitah skhalitam sikhandam
Brastam ca pita-vasanam vraja-raja-sunoh
Yasyah kataksa-sara-phata vimurcchitasya
Tam radhikam paricarami kada rasena

Ferido pelas flechas das olhadas de soslaio de Srimati Radhika, o filho do rei de Vraja perde o conhecimento. A flauta cai de suas mãos, sua pluma de pavão real perde a postura e suas roupas amarelas ficam desalinhadas. “Quando, cheio de devoção, poderei servir Srimati Radhika?”   (Radha-rasa-sudha-nidhi 39)

   Um dia, ao passar por uma bela árvore enquanto pastoreava as vacas, Krishna viu que Radhika o olhava de soslaio. Os olhos de Radhika eram como arcos lançando flechas de prema e fez com que Krishna perdesse o controle de si mesmo. Sua flauta caiu de suas mãos e as penas de pavão real cairam de sua cabeça. Krishna perdeu o conhecimento e seu corpo estremeceu. Ao vê-lo nesta situação, Madhumangala lhe deu um ‘toque’.
   _ “Amigo, Que está fazendo? Nanda Baba, Yashoda Maiya e muitos outros estão aqui. Não pode se comportar assim diante deles”.
   Krishna se recompôs logo.
   Srila Prabodhananda Sarasvati ora: “Desejo servir esta Srimati Radhika. Seu véu transporta a fragância do seu corpo até o nariz de Krishna e ao perceber esta fragrância, Ele perde o controle”.
   O amor e afeto de Radhika é maior que o de Krishna. Mesmo que Bilvamangala Thakura descreva que Krishna é superior, os Acharyas que estão na linha de Rupa Goswami desejam que Radhika sempre saia vitoriosa. “Jay Radhe!”
   Bilvamangala Thakura ora á Sri Krishna como seu siksha-guru. “Que tipo de siksha-guru”? Chaitya-guru. Nos seus passatempos, Krishna descende como siksha-guru. Ele tornou-se guru para Arjuna e para as gopis, por exemplo. Ele é tão misericordioso que escuta todas as orações dos devotos. O primeiro dever dos devotos é ter uma fé inquebrantável nele. Bilvamangala Thakura e Srila Rupa Goswami são exemplos de devotos que possuem este tipo de fé.
   Rupa Goswami e Sanatana Goswami falavam apenas sobre as glórias de Radha e Krishna. Em uma ocasião, Srimati Radhika os adverteu que já era meio dia e não havia comido nada. Apareceu diante eles como uma menina e disse:
   _ Não prepararam nada para comer hoje. Vocês estão jejuando hoje? Minha mãe me deu os ingredientes para que vocês preparem arroz com leite.
    Mas nenhum dos dois tinha tempo para preparar a refeição e a própria Radharani na forma desta menina se ofereceu para fazê-la. Ela pegou um esterco de vaca e em um piscar de olhos um fogo se manifestou. Em um momento, Ela preparou um delicioso ksira e o levou á Rupa Goswami.
   “Por favor, oferece este ksira á sua deidade e depois toma a metade e dá a outra metade á seu irmão.”
   Momentos depois, Sanatana Goswami começou a suspeitar daquela menina. “Rupa, você orou á sua Radhika para que viesse aqui?”.  “Não”.
   Ela veio e cozinhou para nós. Prova esta prasada. Só pode ter sido preparada por ela. Enquanto tomavam a prasada, não paravam de chorar um instante.
   “Agora ela se foi, e perdemos nossa oportunidade de oferecer nossas reverências e de servi-la. Ao invés disto, A fizemos cozinhar para nós”.
   Srila Sanatana Goswami disse ao seu irmão: “Rupa, na próxima vez não faça isto de novo.”
   A devoção deles era tão grande! Vocês devem tentar seguir seus passos. Devemos tentar servir o Casal Divino, Sri Radhika e Sri Krishna, sempre lembrando passatempos como estes.
   Srila Krishna das Kaviraja Goswami explica que o guru iniciador (diksha-guru) é a forma (rupa) de Krishna, e o guru instrutor (siksha-guru) é sua eterna identidade (svarupa). Mesmo que ambos sejam mestres espirituais liberados, pode ser que algumas vezes o siksha ou o diksha-guru seja mais elevado que o outro.
   Agora, explicarei a manifestação de Krishna como devoto:

Isvara-svarupa bhakta tanra adhisthana
Bhaktera hrdaye krsnera satata visrama

Um devoto puro constantemente dedicado ao serviço amoroso ao Senhor é idêntico ao Senhor, pois está sempre em seu coração. 

(Cc.Adi 1.61)

   Os gurus diksha e siksha são manifestações não diferentes de Sri Krishna. Os bhaktas também não são pessoas comuns. Eles são a morada de Sri Krishna. São o assento, a roupa e a cama de Krishna. Krishna pode descansar em seus corações porque são puros e estão livres de desejos mundanos. Em seus corações não há sofrimentos nem problemas, assim como os corações de Rupa e Sanatana Goswami. Eles não desejam nada além de Krishna, e por isso Krishna deseja descansar em seus corações e dormir ali tranquilamente.
   Os corações do jnanis, dos karmis e dos yoguis estão cheios de desejos materiais. “Ó Krishna, dá-me uma bela esposa! Ó Krishna! Não tenho nenhum filho. Ó Krishna! desejo a liberação”. Mas os devotos puros de Krishna não desejam nada para si mesmos. Eles só desejam que sua bhakti aumente cada vez mais. Estas seis manifestações; Krishna, o diksha e o siksha guru, os devotos, as diversas energias, as encarnações e as porções plenárias, são o próprio Krishna que aparecem separadamente para que Ele execute seus passatempos. São bheda e abheda, diferentes e não diferentes. Isto é conhecido como acintya-bhedabheda-tattva.

   Vadanti tat tattva-vidas, tattvam yaj jnanam advayam, brahmeti paramatmeti, bhagavan iti sabdyate. Kaviraja Goswami explica quem é Krishna. Leia porfavor o significado por Srila Swami Maharaj:

    Devoto lê o verso: Os sábios transcedentalistas que experimentam a Verdade Absoluta dizem que Ela é conhecida como brahmam impessoal, Paramatma localizado e como a Personalidade de Deus Sri Krishna.
   Significado: Este verso em sânscrito aparece no segundo capítulo do primeiro canto do Srimad Bhagavatam (verso 11), onde Suta Goswami responde as perguntas dos sábios liderados por Saunaka Rsi, em relação á essência das instruções escriturais. Tattva-vidah refere-se ás pessoas que conhecem a Verdade Absoluta. Elas têm uma perfeita compreensão do conhecimento.

   Srila Narayana Maharaja: Narada,Veda Vyasa, Brahma, Sankara e Sukadeva Goswami são tattva-vit; conhecem a essência das escrituras védicas.

   Devoto segue lendo: Eles podem entender o conhecimento não dual porque estão situados na plataforma espiritual. A Verdade Absoluta é conhecida as vezes como brahman e outras como Bhagavan. Os conhecedores da verdade sabem que aqueles que tentam aproximar do Absoluto através da especulação mental, acaba compreendendo o brahman impessoal, aqueles que praticam yoga experimenta Paramatma, mas aqueles que têm conhecimento espiritual completo experimentam a forma espiritual de Bhagavan, a Personalidade de Deus.
   Os devotos da Personalidade de Deus sabem que Sri Krishna, o filho do rei de vraja, é a Verdade Absoluta. Eles não vêem diferenças entre o nome, a forma, as qualidades e os passatempos de Sri Krishna. Aqueles que separam o nome, forma e qualidades do Senhor, carecem de conhecimento absoluto. Um devoto puro sabe que quando canta o nome transcendental de Krishna, Ele está presente na forma do som transcendental.

   Srila Narayana Maharaja: Sim. Podem lembrar o seguinte:

Yaha, bhagavata pada vaisnavera sthane
Ekanta asraya kara caitanya-carane

“Se desejas entender o Srimad Bhagavatam (disse Svarupa Damodara) , deves aproximar de um vaishnava auto-realizado e escuta-lo. Podes fazer isto após refugiar completamente aos pés de lótus de Sri Chaitanya Mahaprabhu.” (Cc. Antya 5.131)

   Não tentem compreender a vida espiritual apenas através dos livros. O Vedanta, o Srimad Bhagavatam, o Sri Chaitanya Caritamrta e os livros de Swamiji contêm tudo, mas o conhecimento está trancado á sete chaves, chaves muito poderosas. E como não estamos muito preparados, pela simples leitura destes textos não podemos compreender seu significado. Há duas classes de bhagavata, ograntha-bhagavata (as escrituras) e o bhakta-bhagavata (os vaishnavas). O grantha bhagavata está trancado com chave e apenas a alma auto-realizada (bhakta bhagavata) pode revelar seu significado.
   Associação de devotos puros é necessária. Eles são mais misericordiosos do que o Srimad Bhagavatam, e sob sua guia, podemos realizar a misericórdia do Srimad Bhagavatam e Sri Krishna. Sem isto nada é possível.

Vadanti tat-tattva-vidas
Tattvam yat jnanam advayam
Brahmeti paramatmeti
Bhagavan iti sabdyate

(Srimad Bhagavatam 6.2.11)

A verdade absoluta é realizada em três estágios de entendimento pelo conhecedor da verdade absoluta, e todos eles são idênticos.
Estes estágios de compreensão da verdade absoluta são expressos como Brahman, Paramatma e Bhagavan. É essencial por anos escutar muito atentamente e guardara estes ensinamentos nos nossos corações. Aqueles que conhecem esta verdade estabelecida, como, Narada, Vyasa, Sankara, Sanaka, Sanatana, e Srila Rupa Goswami, concluíram que nada está separado de Krsna. Esta verdade estabelecida é chamada de advaya-jnana-tattva, é o principio essencial que Krsna é um sem um segundo.
Todos são subordinados a Krishna. Incluindo Baladeva e todas as outras encarnações, todos os semi-deuses, e todas as entidades vivas, descendo ate os vermes e plantas. A ilusória natureza material, maya é também subordinada a Ele. Nenhuma entidade viva neste ou em qualquer mundo são independentes. Apenas Krishna é independente. Tudo que vemos é manifestação do seu poder.
Srimati Radhika é o poder de Krishna, e Lakshmi Devi é a manifestação de Radhika. Nós Jivas neste mundo material também estamos conectados com Krishna. Este princípio é chamado unidade na diversidade. Conhecedores desta verdade fundamental entenderam que a verdade absoluta é Sri Krishna.
Srila Krishna Das Kaviraj citou o verso acima do Srimad Bhagavatam (1.2.11) Aqueles que possuem conhecimento impessoal vê a verdade absoluta como Brahman. O que é Brahman? É o reflexo pervertido dos raios provindos das unhas dos pés de Sri Krishna. Isto não tem qualidade, forma ou passatempo. Paramatma, a super-alma, que vive no coração de todas as entidades vivas, é uma parte da eternidade de Krishna. Ela é uma pequena fração de Krishna.

Ete camsa-kalah pumsah
Krsnas tu bhagavan svayam
Indrari-vyakulam lokam
Mrdayanti yuge yuge

(Srimad Bhagavantam 1.3.28)

    “Todas as encarnações mencionadas são porções plenárias ou porções das porções plenárias de Deus, mas Deus, Sri Krishna, é a personalidade original de Deus.”

   Todos eles aparecem no planeta quando há um distúrbio provocado pelos ateístas. Deus encarna para proteger os teístas.
   Sri Krishna é a suprema personalidade de Deus, A Suprema Personalidade da Verdade Absoluta Srimad Bhagavatam e outras escrituras confirmam este verso do Brahma Samhita:

Isvarah paramah krsnah
Sac-cid-ananda-vigrahah
Anadir adir govindah
Sarva karana-karanam

“Existem tantas personalidades que possuem as qualidades de Bhagavan, mas Krishna é o Todo Supremo. Ele é a pessoa Suprema, e seu corpo é eterno, cheio de conhecimento e de êxtase. Ele é o Deus primordial, Govinda, e é a causa de todas as causas.”

A primeira manifestação de Krishna é Baladeva Prabhu em vraja. De Baladeva Prabhu em Vrindavana; mulasankarsana (Baladeva em Dvaraka e Mathura), maha-sankarsana (Narayana, Maha-Vishnu, Kshirodakasay Vishnu, Sesa) e assim este mundo material tem se manifestado. Este mesmo Krishna, A Suprema Personalidade da Absoluta Verdade advém como Sri Chaitanya Mahaprabhu, e seu poder supremo Srimati Radhika vêm como Gadadhara Pandit.


Associação com Uttamas é necessário


   Pergunta: Srila Jiva Goswami diz que bhakti é obtida através da associação ou por misericórdia. Você pode me explicar isto?
   Srila Narayan Goswami Maharaj: Isto depende da nossa associação. Depende de qual classe de Vaishnavas nós associamos; kanistha vaisnava, madhyama vaisnava ou uttama Vaisnava.
   Um madhyama vaisnava (devoto intermediário) pode apenas nos dar siddhanta (conclusões filosóficas das escrituras). Ele não pode falar através da experiência de realização espiritual. Se almejamos realização, é necessário escutar e associar com almas realizadas, ou seja, os três diferentes níveis de uttama adhikaris. A associação com um madhyama vaishnava pode nos levar a praticar devoção regulada (sadhana bhakti), e por sua misericórdia, ele pode nos levar até uma alma realizada - um uttama vaishnava.


E se o Guru não for Puro?


 (Próximos 3 cap.- Extraído do livro de Gurudev chamado ‘Guru-devatatma’ página 13 a 25)
    Suponhamos que alguém desafortunadamente recebeu inciação de um guru desqualificado, que não estava no nível de um Maha Bhagavata (devoto puro, auto-realizado). Ou seja, aquele guru não estava realizado nas verdades estabelecidas e não tinha realização de Krishna, Seus nomes ou suas glórias como os sastras estabelecem. Ele estava apenas no nível de kanistha-adhikari, mas ainda sim ele pensava que era guru. Ele tinha muitos desejos materiais, tais qual nome, fama e riqueza, e alguém desafortunadamente tomou hari-nama e diksha dele.
   Os versos que glorificam as qualificações de um Guru épode ser aplicável á este guru ou não? O discípulo deve obedecer tal guru com rendição como ordenado nas escrituras? Deve-se seguir este guru ou não? Uma pessoa pode extrair leite puro de um asno macho? Podemos conseguir mangas doces de uma árvore espinhosa? Qual são as obrigações discípulo para com este tipo de guru?
   Devemos considerar que uttama-adhikaris, madhyama-uttama-adhikaris e até mesmo madhyama-madhyama-adhikaris (nível de asakti- ver no livro - Madhurya Kadambini) são muito raros neste mundo. È muito raro então, ter um guru deste alto calibre.
   O que devemos fazer então nestas circunstâncias? Teremos que nos abrigar em um Guru. Se o guru não é ‘sabde pare ca nisnatam’, se não realizou as verdades estabelecidas delineadas nos Vedas, Upanisads e outras escrituras, mas ainda sim tem fé resoluta no seu Uttama Guru e está sinceramente o seguindo, mesmo que seja um madhyama-adhikari, não o rejeite. Podemos abandonar nosso guru apenas sob as considerações dadas por Srila Sanatana Goswami no seu Hari Bhakti Vilas:

Avaisnava-mukhodgirnam
Putam hari-kathamrtam
Sravanam naiva kartavyam
Sarpocchistam yatha payah

“Os nectários tópicos de Sri Hari são sempre purificantes, mas se eles emanam dos lábios de um não-vaishnava, então é proibido escutá-los, pois o leite tocado por uma serpente se torna veneno”.

   Se um guru não está servindo seu próprio Gurudev, se ele deixou o processo dado por seu fidedigno mestre e seu Gurudev não está satisfeito com seu comportamento – apenas neste caso podemos rejeitá-lo. Por outro lado, se o Guru é um madhyama-adhikari e sincero, muito obediente e um seguidor dos ensinamentos do seu Gurudev, então ele gradualmente se tornará um Uttama-adhikari. Neste caso, não devemos rejeitá-lo. Ao mesmo tempo, se ele não é perfeito e então não pode remover todas as nossas dúvidas sobre a consciência de Krishna, o que devemos fazer?   Devemos oferecer reverências á ele e pdir sua permissão para ter a associação de um devoto Maha Bhagavata. O discípulo poderá perguntar: “Posso ir até Srila Jiva Goswami?” ou “Posso me associar com Srila Rupa Goswami?” ou “Posso ir até um devoto de alta classe?” Se o guru disser: “Não, você não pode ir” então devemos abandoná-lo. Porém, se ele diz: “Certamente você pode ir e eu também irei com você” então ele é um real Guru.
   Um Guru que envia seu discípulo para tomar instruções de um Guru superior pode ser também um Uttama Maha Bhagavata, pois existem vários estágios de Uttama Maha Bhagavatas. Este guru certamente não deve ser rejeitado.

Até mesmo Krishna aceitou um Guru.




   Em todas as escrituras como o Vedanta, Upanisads e especialmente no Srimad Bhagavata, o Sad-Guru tem sido glorificado. É verdade que o santo nome é transcendental. Está escrito nas escrituras e também escutamos de muitas pessoas que devemos cantar os santos nomes. Mas alguém pode argumentar: “Tenho lido em todo lugar que devemos cantar Hari Nama e por isso estou cantando. Porque então é necessário ter um Guru, que atua como um agente ou um mediador? Ajamila foi facilmente para Vaikuntha sem inicialmente saber sobre as glórias de hari nama. Isto demonstra que qualquer pessoa pode cantar hari nama até mesmo sem aceitar um Guru.”
   Se alguém está cantando sem a guia de um Sad-Gurudev, qual será o resultado? Esta pessoa poderá apenas cantar nama-aparadha (ofensas ao santo nome), exceto casos raros como no caso de Ajamila, pode-se cantar namabhasa ou suddha nama. Está escrito no Chaitanya Charitamrta que ‘pela misericórdia de Krishna a pessoa aforunada tem a oportunidade de associar com um devoto puro e pela misericórdia deste mestre espiritual puro e de Krishna, ela recebe a semente da trepadeira do serviço devocional’. Krishna não concede a semente de bhakti diretamente á qualquer um. Ao invés disso, ele concede isto através de Sri Guru, ou ele mesmo se torna Guru para dar isto. Sem aceitar um Guru, ninguém pode cantar o transcendental nome de hari. Inicialmente, Ajamila não tinha Guru. Ele nomeou seu filho de Narayana, um dos nomes de Deus. Por acaso, porque viveu a cultura védica, ele nomeou seu filho de Narayana, e pela recitação deste nome ele começou a cantar namabhasa(estágio purificatório do cantar). Este foi seu primeiro cantar de namabhasa, e depois disso ele sempre chamava por seu filho ‘Narayana, Narayana, vêm aqui!’ Por fazer isso continuamente, seunamabhasa continuava. Quando os ferozes mensageiros da morte, os yamadutas,vieram busca-lo no momento de sua morte, o nome do seu filho apareceu automaticamente na sua língua. ‘Narayana, Narayana!” Naquele momento, Narayan enviou seus mensageiros , os Visnudutas, que por sua vez começou a glorificar o nome de Narayana. Ajamila então recebeu a semente de suddha nama (nome puro) dos Visnudutas. Com isto, Ajamila recebeu a semente de bhakti, conseguiu sobreviver e então pensou: “O santo nome que escutei dos Visnudutas é tão poderoso! “Agora que recebi este mantra, devo abandonar minha esposa, todos os meus filhos e minhas posses.” Ele então abandonou tudo e foi á Haridwar, onde tomava banho no ganges, sentava nas suas margens e começava seu canto. Eventualmente, Ajamila começou a cantar suddha nama. Depois de algum tempo, os Visnudutas vieram novamente e disseram: “Venha conosco e sente neste aeroplano.” Neste momento Ajamila havia alcançado o estágio de bhava e logo depois alcançou prema. Por cantar o santo nome de Narayana, ele obteve Vaikuntha-prema. Ajamila disse aos Visnudutas: “Quando vocês dispensaram os Yamadutas, eu quis falar com vocês e tocar seus pés de lótus, mas voçês desaparecerem. Agora vocês aparecem de novo e me dizem para ir com vocês. Como pode isto?”
   Os Visnudutas respoderam: “Nós demos á você a semente do nome puro e também a semente da trepadeira da devoção (bhakti lata). Por cantar este nome e banhar-se regularmente no rio Ganges, você se purificou. Você obteve Vaikuntha rati e está agora qualificado para ir á Vaikuntha.” Assim, eles o levaram até lá.
   No momento em que apareceram para ele pela segunda vez, Ajamila já havia se livrado completamente dos desejos materiais e assim alcançou Vaikuntha.
   Devemos compreender que sem um Guru, seremos obrigados a ter apegos materiais e também seremos obrigados a cometer ofensas ao santo nome (nama-aparadha). Se a semente de bhakti juntamente com a relação da jiva com Krishna (sambandha-jnana) não é concedida por um Guru Puro, então não póde se experimentar o som transcendental (sabda brahma). A aceitação e rendição á um Sad-Guru é essencial.
   Krishna, mesmo sendo a Suprema Personalidade de Deus, também aceitou um Guru. É geralmente aceito que o Guru de Krishna era Sandipani Muni, mas na verdade Sandipani Muni era como um professor. Ele ensinou as sessenta quatro artes para Krishna. Então ele era como um professor colegial . Na verdade, Krishna recebeu o radha-mantra de Bhaguri Rsi e por isso seu verdadeiro Guru é Bhaguri Rsi. Chaitanya Mahaprabhu também aceitou hari-nama e gopala mantra de Isvara Puripad.